domingo, 2 de janeiro de 2011

grafite – artes visuais


grafite - artes visuais


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A ARTE DA GRAFITAGEM

O Conceito de Juventude e quadro demográfico da população jovem



Em 1990 o número de adolescentes no Brasil era de 34.311.111. Esta cifra representava 23% da população, sendo 49,7% do sexo masculino e 50,3% do feminino. Nos últimos vinte anos, a mortalidade para eles tem aumentado, sendo a violência e o suicídio os maiores responsáveis pelo crescente número de óbitos.
Mas que população é esta? O que é o adolescente?
A UNESCO indica que adolescência é o período que começa aos 15 anos de idade e vai até os 24 anos.Alguns autores como Colli Setian acham que esse período "adolescência" não pode ser tratado com "começo e fim" tão rígidos. A variação é de país para país e, pode-se dizer mesmo no caso do Brasil, de região para região. Causas psico-sociais concorrem para essa flexibilidade.
A juventude ou adolescência deve ser entendida como um segmento da sociedade. Por se tratar de um segmento intermediário entre a criança e o adulto o adolescente tem caracterísiticas próprias. Características frágeis, que por isto fazem do jovem o "espelho" deste sistema, porque o adolescente retrata o conjunto de mazelas dessa sociedade. Individualmente, o adolescente passa por transformações biopsicosociais que são vividas por alguns como crise da idade, que Luiz Carlos Osório compara à crise sócio-política do mundo atual (Batista Neto, Francisco: 1990).
A adolescência pode ser definida cronológica, sociológica e psicologicamente. Cronologicamente é o periodo que varia dos doze aos vinte e cinco anos. Notar aqui a diferença dos limites de idade do enunciado pela UNESCO. Sociologicamente é um periodo de transição do estado de dependência para o de autonomia. É quando se começa a assumir as responsabilidades do mundo adulto. Psicologicamente, a adolescência é um período crítico de definição do ego, com grandes mudanças na personalidade. Para o psicologo M. Rosa, a adolescência é um conjunto psicossocial que: "representa uma fase crítica no processo evolutivo em que o individuo é chamado a fazer importantes ajustamentos de ordem pessoal e social. Entre esses ajustamentos temos a luta pela independência financeira e emocional, a escolha de uma vocação e a própria identidade sexual. Como conceito psicossocial, a adolescência não está necessariamente limitada aos fatores cronológicos. O que, de fato, marca o fim da adolescência, são os ajustamentos normais do individuo aos padrões de expectativa da sociedade, com relação às populações adultas"(ROSA, M.:1985).
Concluindo: a adolescência é um período de transição entre o ser criança e o adulto. Esta situação de ser e não ser e a busca da identidade psicológica cria uma grande confusão que provoca a crise, bem definida pelos franceses como " l' âge bête" (OLIVEIRA, Maria Clara O.: 1991). A adolescência é um fenômeno biopsicossocial do processo de crescimento e desenvolvimento do ser humano, nitidamente marcada pela família e pela escola. (Milani, Feizi Masrour:1991). O desenvolvimento de uma pessoa é uma sucessão de experiências psiquicas que, num processo de separação e individualização termina na aquisisição da consciência da identidade.(MAHLER, M.:1986) A adolescencia é uma fase do desenvolvimento do ser humano que corresponde à segunda década da existência. Ela contém a síntese das conquistas e dos atropelos da infância e a transformação sexual, ideólogica e, até social, impostas pela mudança corporal. (Maakaroun, Marilia de Freitas: 1991). É uma fase do ser humano de profundas transformações físicas, psicológicas e sociais.Momento em que a pessoa estabelece novas relações com a família, amigos e consigo mesmo. Fase das perguntas e das dúvidas que devem encontrar espaço para serem respondidas sem preconceitos e com liberdade para não se transformarem, mais tarde, em angústia e ansiedades. (Takiuti, Albertina Duarte: 1991).






JUVENTUDE URBANA - MARGINALIZADOS E EM TRANSFORMAÇÃO
O jovem dos anos 90 não está preso aos dogmas cultuados nos anos 60. Ao mesmo tempo pode ser a favor da pena de morte e ser ecologista. Ser politizado e ir ao caipiródromo. Nos anos 60 tinha que ser sexualmente liberal, marxista e não gostar de rock. Hoje é normal encontrar, entre rapazes e moças, virgens, literalmente, além de escolherem mitos, os mortos John Lennon, Jim Morrison, Jesus Cristo. Incoerência ? Mudanças radicais? A juventude de ontem desafiava a cultura da competição, "não confiava em ninguém com mais de 30 anos" e vestia-se com um desmazelo espantoso e proposital. O jovem de hoje reformulou seus conceitos, preocupando-se com a qualidade de vida embora, não desprezando a valorização do aspecto físico, característica de sua idade, num país que, já apontava, no final da década de 80 para uma população 40 milhões de pessoas com idade entre 15 e 29 anos.
Por outro lado, em 89, um levantamento feito pela empresa de pesquisa americana Saldiva detectou um jovem desacreditado com o "status quo", com a política econômica e com os valores vigentes. Já nessa época ficou patenteado que todos são consumistas, independentemente de classe social. Apesar de saber do valor do dinheiro e as dificuldades para o ganho, o jovem se utiliza da fantasia do consumo como fuga do prórpio real. Muitos mais do que a droga, o jovem do início da década de 90 já usava a fantasia como elemento da fuga. E o consumo é a nova droga. A juventude de hoje, segundo a pesquisa, não trazem nem ligação com os ideais políticos pacifístas da década de 60 nem o culto egoísta ao dinheiro que caracterizou os jovens urbanos de 80. Enfim, é uma juventude às voltas com suas crises pessoais e profissionais dentro de uma crise econômica do país. Com a crise econômica acentuada tornou-se mais difícil para os jovens dos anos 80 construirem uma perspectiva de vida num cenário de desigualdades sociais, um esgotamento de forma de expressão e de estilo incentivando, nesse período, um êxodo do país para outros onde exista qualidade de vida, economia estável e mercado de trabalho.

Jovem Urbano
No primeiro semestre de 1995 uma revista brasileira (VEJA) realizou uma pesquisa com jovens urbanos de vários países. Essa pesquisa aponta um jovem brasileiro menos otimista que os dos outros países no que diz respeito a melhoria da qualidade de vida no mundo. Apenas 17% acha que sua geração vai viver numa sociedade mais justa. Quanto à política tanto os marginalizados quanto os urbanos pensam da mesma maneira: os políticos não são confiáveis. A prova cabal desse dado foi o movimento pró-impeachment, em 1992, uma atuação coletiva de toda a juventude brasileira, tornando-se a grande alavanca que destituiu o primeiro presidente eleito pelo povo, após o período militar..
Essa mesma pesquisa mostra, também, que apesar da aparente liberdade de escolha dos jovens da classe média existe, na verdade, um processo intenso de massificação de valores conservadores. Essa globalização operada, sobretudo, pela televisão, coincide como uma com a dinâmica do jovem de menos idade, que tem entre suas principais características o desejo de controlar o mundo. A profissão, a realização pessoal e o respeito marcam mais pontos em suas ambições do que o sucesso e a fama; pessoalmente esperam casar e ter filhos. Lutam por valores mais autênticos da humanidade. Ecologia, comportamento saudável e seu futuro profissional estão entre suas preocupações, apesar do liberalismo sexual o jovem atual busca relacionamento onde estejam presentes valores como responsabilidade, respeito e confiança.







CULTURA, ESPORTE E JUVENTUDE
Cultura
"No campo da sociologia, cultura é o conjunto de ferramentas, utensílios, hábitos, instituições, rituais, objetos para vários fins, sentimentos, atitudes etc., que todos os povos possuem" (sic) (Cultura da qualidade X Cultura Institucional" - Elaine Lima de Oliveira - Universidade / A busca da qualidade - janeiro/fevereiro de 1994 - IBRAQS - Instituto Brasileiro da Qualidade em Serviços). "O desenvolvimento de um povo não se alcança apenas pelo aumento do bem estar material, mas exige, paralelamente, o aprimoramento dos valores artísticos e culturais" (sic) (Mário Henrique Simonsens, economista, abertura do Programa de Atividades Culturais do Mobral - 1973)
O envolvimento do ser humano com a cultura deve estimular sua plena educação, visando a melhorar-lhe a qualidade de vida, suscitando seus processos criativos, fazendo emergir vocações. As mais imediatas oportunidades para difundir a cultura de uma nação está no campo fértil da arte popular - artesanato, bandas de música, canções e danças folclóricas. Todas estas manifestações devem ser valorizadas e apoiadas, para que não terminem por afogar-se em meio à cultura de massa, amplamente disseminada pelos meios de comunicação. Instrumentos poderosos de acesso à cultura, eles podem, contudo, vir a contribuir para a alienação do indivíduo de sua própria cidadania, apagando os traços mais legítimos de sua cultura original. (Maria Luíza Condé - Professora - Programa de Atividades Culturais do Mobral - Rio de Janeiro - 1973)
Como resultado de um movimento que ligou os jovens, através da União Nacional dos Estudantes, os sindicatos, artistas e intelectuais, surgiu, no final da década de 50/início de 60 um novo pensamento cultural no Brasil. Deu-se um aprofundamento de uma arte, brasileira mas universal, cheia de inquietação, buscando novas formas de expressão. Seu objetivo era um só: estabelecer um diálogo com o povo, levando-lhe uma arte voltada para as questões sociais, pretendendo a transformação do país. Artistas e intelectuais já haviam criado o CPC - Centro Popular de Cultura que, necessitando de uma base já estabelecida, uniu-se a UNE, numa produção cultural das mais vastas e importantes. Foram lançadas publicações como Violão de rua, que divulgava nomes do porte de Affonso Romano de Santanna e lançava novos autores. Era vendido em sindicatos, nas ruas, em locais de aglomeração popular.
"Era uma época em que todo o Brasil vivia um grande momento de desenvolvimento e euforia. Nascia a Bossa Nova e o parque industrial, o país ganhava campeonatos mundiais em diversas modalidades, numa ebulição que envolvia, principalmente a classe média, já que não chegou, realmente, a envolver os operários, ou os camponêses. Surgiu a poesia concreta, o Teatro de arena." (Carlos Lira, compositor, declaração recolhida do texto Centro Popular de Cultura - A idéia era construir um país novo, através da arte - sem identificação do autor- Revista UNE O reencontro do Brasil com a sua juventude- Edição do Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994).
A ligação entre os jovens e o Centro Popular de Cultura destacou-se na música, no teatro e na literatura. Misturava-se shows e debates de importantes temas do país. Promovia-se noites de autógrafo que contavam com a participação, entre outros, de Vinícius de Morais e Oscar Niemeyer; revelava-se talentos como Edu Lobo e Nelson Cavaquinho. ( A UNE atraiu o que havia de melhor na cultura brasileira - Chico Dias, poeta e jornalista - Revista UNE O reencontro do Brasil com a sua juventude - Edição do Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994). O que se pretendia era levar ao povo uma cultura capaz de transformar, de conscientizar, dando-lhe uma visão política, através do teatro, do cinema e da música. (Toda a poesia, Ferreira Gullar, poeta e teatrólogo, Editora Civilização Brasileira, 1980).
"Viajávamos o país inteiro, irradiando cultura. Fazíamos espetáculos nas praças principais das cidades, ou numa faculdade, apresentando peças de autores como Oduvaldo Viana Filho, tendo artistas como Grande Otelo, no elenco junto com a UNE, o CPC irradiou cultura país afora" (Depoimento de Carlos Verezza, ator e diretor de teatro, cinema e televisão. Publicação UNE O reencontro do Brasil com a sua juventude - Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994).


JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA

Entre a universidade e a realidade brasileira há muita diferença. É na escola que os jovem passam a maior parte do do seu tempo, ou deveriam passar. Mas esta instituição não os atende de forma global, limita-se ao repasse de informação curricular. A tarefa desta instituição se delimita e se estrutura em concordância da falta de política de educação e desta com outra políticas. O sistema educacional brasileiro limita-se a um conteúdo informativo currricular que se distancia do interesse e da vivência dos jovens, principalmente, os de menor idade. As instituições estabelecem mitos e padrões de comportamento. O aspecto educativo mais amplo como desenvolver a consciência crítica com responsabilidade é deixado de lado. A universidade estimula a desigualdade, elitizando e selecionando seus membros, favorecendo os já privilegiados pela sorte e aumentando cada vez mais o abismo entre educar e formar indivíduos para a vida. (Maakaroun, Marília de Freitas.)

A exemplo disso, conforme com o Censo Educacional, do Ministério da Educação, em 1994 havia mais de 40 milhões de estudantes registrados em atividades educacionais desde o primeiro grau até a faculdade. No ensino superior, com 1,6 milhões de estudantes matriculados, cerca de sete em cada 10 freqüentam instituições privadas. Além disso, um estudo constata que sete entre dez dos primeiros empregos obtidos por portadores de diplomas universitários se encontram em categorias média e média-alta de salário. Atualmente o governo federal mantém apenas 89 escolas de 2º grau públicas em contrapartida, a universidade brasileira, onde se encontra esmagadora maioria de jovens oriundos dos setores mais privilegiados da sociedade brasileira, se beneficia de 2/3 dos recursos orçamentários e vem ampliando de forma crescente sua participação no bolo de dotações orçamentárias federais, estaduais e municipais.

Pesquisa realizada no estado de São Paulo revelou que, 72,24% desses jovens que não pagam mensalidades à universidade, residem em casa própria.; quase 50% deles (47,31%) possuiam carro e uma renda familiar superior a 30 salários mínimos. Além disso, os órgãos publicos estatais respondiam por 53,80% das bolsas distribuídas nas universidades públicas. A conclusão mostrada pela revista brasileira Conjuntura Econômica, editada pelo Instituto de Pesquisa Economica, foi de que cerca de 10 milhões de crianças brasileiras, às vésperas do ano 2000, ainda não têm acesso à escola primária e, muito menos, a universidade pública. Além disso, a universidade estatal brasileira desfruta de uma das mais baixas proporções de aluno por professor do mundo. No Brasil, considerando-se a matrícula de 1990, esta relação era de 6,46% alunos, o que se podia comparar com oito alunos por mestre na universidade estatal e, de 15,2 alunos/professor na universidade particular. Na França, esta relação é de 23 alunos/professor; na Argentina, 16 alunos e, nos Estados Unidos, 13 alunos por professor. Esse mesmo Instituto, quastiona a produtividade da universidade estatal. Para 212 mil vagas oferecidas em 1990 na universidade particular, o ensino superior oficial colocou em oferta apenas 65 mil. Enquanto no vestibular de 1989 entraram nas faculdades particulares 44 mil novos alunos e nas universidades federais ingressaram apenas 6.410.

Esse mesmo levantamento mostrou, também, que pelo menos 1/3 dos alunos das escolas superiores particulares trancam a matrícula por falta de recursos. Em geral, são originários de famílias com renda de 1 a 2 salários mínimos. Em contrapartida, os alunos das universidades estatais, beneficiados pela absoluta gratuidade de ensino - bandejões, bolsas etc., além de casa prórpia, automóveis e da mesada do pai, possuem, ainda, caderneta de poupança (69%), cheque especial (35%), cartão de crédito (25%), aplicações financeiras (17%), imóveis alugados (31%) e a média de renda declarada foi de 30 salários mínimos. Essa total inversão de valores se deve ao paternalismo estatal, ainda decorrente do período de 64, em beneficiar com verbas as universidades e esquecendo as escolas públicas de 1º e 2º graus. É dever das instituições aproveitar as potencialidades do universitário, encará-lo como profissional holístico e não como uma espécie de peça especializada dentro de uma linha mecânica e inflexível. A melhoria do sistema do ensino brasileiro é tão importante para o sucesso econômico. Sem isso o país não terá condições de competir em uma economia globalizada, com organizações formadas por profissionais saídos de sistemas educacionais eficientes e sintonizados com os tempos atuais. Uma grande parcela da melhoria do sistema de ensino é responsabilidade das empresas brasileira. É por meio de uma parceria entre universidade e empresa que será garantida a atualidade necessária à formação acadêmica recebidas nas universidades. Nesse contexto,é entendido a importância do estágio de complementação curricular. É está modalidade que traz o estudante para uma série de novos desafios a serem vencidos por meio da rearticulação da sua base teórica. O estágio é peça fundamental no programa de qualidade total na formação profissional. (CIOCCHI, Luiz A.- 1995).


2. JUVENTUDE E EDUCAÇÃO

Apesar de serem relativamente altas as taxas de escolarização no país — de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1985, cerca de 88% dos jovens e 93% das jovens, na faixa de 15 aos 19 anos, eram alfabetizados —, a situação educacional dos jovens brasileiros ainda é bastante precária. Alta incidência de repetência e de evasão e a grande defasagem entre a situação escolar nas áreas urbanas e rurais mostram que, no Brasil, a possibilidade de que a educação seja um instrumento para atingir níveis mais elevados de desenvolvimento econômico e bem-estar social, está seriamente comprometida. A escola não está garantindo a todos um mínimo de instrumentação que torne as chances sociais menos desiguais. É bom lembrar que o índice de analfabetismo, entre crianças e adolescentes de 10 a 17 anos, é de 28,6 %, quase 10% somente de adolescentes (Crianças & Adolescentes, Volumes I, II e III, Indicadores Sociais, Unicef e IBGE, 1989).
A proporção de repetentes mantêm-se em torno dos 20% em todo o País, enquanto a evasão gira em torno de 15%. Isto significa que se pode estimar em pelo menos 10 milhões o total de crianças brasileiras que estão todos os anos virtualmente fora da escola. Esta massa fora da escola forma um contingente próximo a 1/3 da população da Argentina, quase igual à do Chile e superior à população de Portugal. O percentual de alunos do ensino fundamental que completa a oitava série no país (15%) é inferior ao registrados no Haiti, El Salvador, Peru e Chile. O colapso da educação coloca o Brasil como campeão de baixa eficiência do ensino na América Latina. (Teixeira, Ib:1994). As principais causas de repetência e evasão são: falta de condições sócio-econômicas para permanecer na escola; mudanças freqüentes de domicílio em função da instabilidade do mercado de trabalho dos pais; ingresso precoce da criança e do adolescente no mercado de trabalho; inadequação da escola à sua clientela majoritária e estabelecimento de padrões avaliativos que discriminam e estigmatizam o aluno pobre. Estudos recentes têm correlacionado a evasão, também, às múltiplas repetências do aluno, especialmente nas primeiras séries, quando ele e seus pais desistem de continuar tentando um nível educacional mais elevado. Uma consequência grave da repetência é a defasagem série-idade que faz com que o aluno se sinta inadaptado à escola.
A pobreza é o fator que obriga os jovens a ingressar precocemente no mercado de trabalho, afastando-o da escola. Alguns ainda tentam conciliar o horário escolar com as atividades profissionais e acabam sobrecarregados com a grande responsabilidade. A maioria dos jovens que se encontram nessa situação, trabalha em período integral e reserva, o horário noturno para os estudos. A Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar - PNAD de 1982 mostrou que, entre os adolescentes das áreas urbanas de 15 a 19 anos, 48% dos jovens 38% das jovens cursavam a escola no período noturno. Nas áreas rurais, a proporção dos que freqüentavam os cursos noturnos era de cerca de um terço de todos os matriculados para os jovens e um quinto para as jovens. São muito poucos os adolescentes de 17 anos que têm escolaridade adequada: apenas 28% em todo o país têm oito anos ou mais de estudo. Na área urbana há três vezes mais adolescentes nessa situação do que na área rural. No Nordeste rural, somente 5% dos adolescente conseguem ter os oito anos ou mais de escolaridade. De acordo com a PNAD de 1984, a porcentagem entre os jovens de 15 a 19 anos de idade que haviam completado pelo menos cinco anos de escolaridade era de 51%. A porcentagem dos que haviam completado nove ou mais anos de escolaridade é de apenas 13%, prevalecendo as áreas rurais em pior situação.
Entre os adolescentes, a proporção dos que não tiveram nenhuma escolaridade é três a quatro vezes maior entre os residentes em áreas rurais do que entre os residentes em áreas urbanas. Na faixa dos 15 aos 19 anos de idade, 22% dos jovens das áreas rurais não tinham nenhuma escolaridade, em comparação a 6% de seus pares nas áreas urbanas. De forma semelhante, para essa faixa etária, a proporção dos que ainda freqüentam a escola, além da 8ª série era, para os jovens das áreas rurais, de apenas um quinto daquela registrada para os adolescentes urbanos. Em 1984, por exemplo, apenas 3% dos homens e mulheres das zonas rurais haviam tido mais de oito anos de escolaridade, em comparação a 17% dos residentes de áreas urbanas. A medida que aumenta a renda familiar, a escolarização também tende a crescer. Ao longo da década, houve um aumento das taxas de escolarização em todas as classes de renda, sendo que o crescimento maior foi nas classes de renda mais baixa (até 1/4 salário mínimo per capita). Apesar disso, são ainda os jovens desta classe social que permanecem em maior número fora da escola: 97% das crianças pertencentes as classes de rendimento superior a 2 salários mínimos per capita estavam freqüentando a escola em 1989, enquanto nas classes até 1/4 de salários mínimos per capita, a proporção cai para 72,7%. De cada mil alunos urbanos que ingressam na escola cerca de 450 terminam a 8ª série, enquanto que no meio rural apenas 15 conseguem atingir esta meta. Essa grande diferença no desempenho entre alunos das duas áreas se deve, principalmente, ao fato que as escolas nas zonas rurais serem multiseriada e com um único professor, e de não oferecerem formação além da 5ª série.
As diferenças entre a escola pública e escola particular marcam também as profundas desigualdades sociais em que vivem os estudantes brasileiros. A escola pública perde em eficiência para a particular. No conjunto do País, os repetentes representam 24,4% nas escolas públicas e 9% nas particulares. Para piorar a situação, 22,3% do professorado da rede pública tem formação inadequada, enquanto que na rede privada o percentual cai para 16%. No Sudeste 10,1% deles podem ser considerados leigos. No Nordeste a situação é gritante, a proporção chega a 38%. (Crianças & Adolescentes, Volumes I, II e III, Indicadores Sociais, Unicef e IBGE, 1989). Enquanto a escola particular se preocupa mais com esta questão por causa da necessidade de enfrentar a concorrência e conquistar sua clientela, o Estado demonstra claramente a pouca atenção que dá à educação. Há professores leigos no Nordeste que recebem 4 dólares/mês (junho/95). Um recente relatório do Banco Mundial aponta que o Brasil gasta em educação uma proporção muito menor de seu Produto Interno Bruto (PIB) do que outros países da América Latina com renda semelhante. Além disso, cerca de um quarto de todos os gastos governamentais com a educação se destina ao ensino superior, apesar do fato de que apenas 4% de todos os estudantes se encontrarem nesse nível. (Adolescente de hoje, Pais do Amanhã: Brasil, 1991, Fundação Emílio Odebrecht)

A Coréia do Sul, visando um crescimento econômico sustentado, enfatizou, em primeiro lugar, a educação fundamental de oito anos e em seguida, a escola secundária. Estudo recente do World Bank, intitulado "The East Asian Miracle", concluiu que este foi o fator determinante do sucesso do programa educacional em todos os países do Leste Asiático. Enquanto isso, em 1985, as despesas do Brasil com o ensino primário, em nível federal, foram de apenas 30,8%; em contrapartida, o país gastava bem mais no ensino superior: 49,3%. O saldo dessas deficiências no sistema educacional é o de que muitos jovens não têm acesso à escola, e de que a educação recebida por aqueles que a freqüentam é de precária qualidade. (Teixeira, Ib : 1994).

 Saúde e juventude